Pàulla Scàvazzini: a pintura que transborda a tela em NY e no Rio

Instalação site-specific de Pàulla Scàvazzini, mostrando pinturas que avançam sobre as paredes e o piso da galeria, criando um ambiente imersivo
Foto: Erika Garrido/Divulgação

A trajetória de Pàulla Scàvazzini vive um momento de expansão e reconhecimento global. Com aberturas estratégicas em Nova York e no Rio de Janeiro, a artista reafirma sua posição como uma das vozes mais inventivas da pintura contemporânea brasileira.

Sua prática não se encerra no limite da moldura. Scàvazzini entende a pintura como um gesto do corpo inteiro, uma espécie de “psicografia pictórica” onde o movimento conduz a imagem. Na Kaliner Gallery, em Manhattan, ela apresenta a mostra Between Utopias and Abyss.

Ali, a pintura se estica do micro ao macro, ocupando a arquitetura da galeria e estabelecendo um diálogo direto com a paisagem urbana através de grandes fachadas envidraçadas.

Como observamos em sua pesquisa, Pàulla Scàvazzini utiliza o imaginário botânico tropical para construir atmosferas que oscilam entre a paisagem e a ruína. No Rio de Janeiro, a exposição Língua de Fogo aprofunda essa investigação no Centro Cultural Correios.

A artista propõe uma reflexão sobre o colapso contemporâneo, recusando-se a oferecer a imagem da natureza como um simples consolo. Para Scàvazzini, a pintura precisa sair da tela para encontrar o corpo do espectador.

É nesse encontro sensorial que a cor e a luz modificam a percepção espacial, transformando a sala de exposição em um organismo vivo e pulsante.

O gesto como resistência e utopia

A formação de Pàulla Scàvazzini em Artes Visuais e Arquitetura reflete-se na precisão com que ela ocupa o espaço. Em Nova York, suas telas dialogam com as esculturas em vidro de Austin Fields, criando um ecossistema onde a abstração e a tridimensionalidade se fundem.

O gesto manual surge como uma forma de resistência, especialmente na produção de mulheres artistas que operam a partir da matéria. Scàvazzini utiliza títulos que funcionam como micro poesias sinestésicas, convocando cheiros e temperaturas para a experiência do olhar.

A escala é uma ferramenta central em seu trabalho. Ao transitar entre o íntimo e o arquitetônico, a artista convida o público a uma observação atenta e a novas perspectivas sobre o ambiente ao redor. Suas manchas e campos cromáticos intensos não apenas representam a vegetação, mas encarnam a tensão entre destruição e regeneração.

Pàulla Scàvazzini
Foto: Erika Garrido/Divulgação

Acompanhar a ascensão de Scàvazzini é testemunhar a força da cultura visual brasileira em sua capacidade de traduzir as complexidades de um mundo em constante metamorfose.

Serviço: Pàulla Scàvazzini em Exposição

Nova York: Between Utopias and Abyss

  • Local: Kaliner Gallery (42 Allen St, New York, NY 10002).
  • Período: 23 de abril a 30 de maio de 2026.
  • Entrada: Gratuita.

Rio de Janeiro: Língua de Fogo

  • Local: Centro Cultural Correios (Rua Visconde de Itaboraí, 20 – Centro).
  • Abertura: 27 de maio de 2026.
  • Período: 27 de maio a 4 de julho de 2026.
  • Entrada: Gratuita.


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