Mural monumental de Daiara Tukano, inaugurado no Vale do Anhangabaú, transforma o Edifício Guanabara em um manifesto visual sobre ancestralidade e o futuro da humanidade.
Ailton Krenak agora observa o Vale do Anhangabaú de uma altura de 30 metros. No centro histórico de São Paulo, onde o asfalto tenta silenciar os rios que correm por baixo, a artista e ativista Daiara Tukano cravou um marco de memória e resistência.
Intitulada “Sol do Meio Dia”, a obra monumental homenageia Krenak (líder histórico, pensador e o primeiro intelectual indígena eleito para a Academia Brasileira de Letras). Ele é celebrado em uma intervenção que não apenas decora a cidade, mas a confronta.
Inaugurado em celebração ao Dia dos Povos Indígenas, o mural na empena do Edifício Guanabara, na Avenida São João, é o ponto de partida da Virada Indígena. Para quem caminha pelo Anhangabaú, a imagem de Krenak impõe uma pausa necessária: é a arte contemporânea indígena ocupando um território que, antes de ser concreto, era terra originária.
Ailton Krenak e a voz que ecoa na empena
A escolha de Ailton Krenak como figura central deste mural não é casual. Referência internacional nos debates sobre meio ambiente e humanidade, Krenak tem provocado o Brasil a repensar sua relação com a terra. Dessa forma, ao projetar seu rosto no centro da metrópole, Daiara Tukano cria uma ponte entre a ancestralidade e a urgência do presente.
A execução da obra, que mede 30 por 25 metros, contou com a produção de Eduardo Saretta e André Firmiano, além de uma equipe de artistas que transformou a empena cega em uma janela para o pensamento de Krenak. É uma imagem potente que reforça o protagonismo indígena em espaços urbanos de grande visibilidade.
A voz indígena no Vale do Anhangabaú
O Vale do Anhangabaú, historicamente um local de passagens e conflitos, ganha com este mural uma nova camada de significado. A intervenção artística de Daiara Tukano dialoga com a arquitetura do entorno, trazendo cores e símbolos que remetem à cosmologia indígena.
O impacto visual é imediato, mas o impacto semântico é o que permanece: a afirmação de que a presença indígena é contemporânea, intelectual e inegociável.
A inauguração do mural coincide com o evento “Palavra Viva – Arte, Pensamento e Ancestralidade”, na Praça das Artes. Ela amplia o debate sobre como a cultura visual pode ser uma ferramenta de retomada territorial simbólica.
Arte, pensamento e o futuro da cidade
Ao reunir as trajetórias de Daiara Tukano e Ailton Krenak, São Paulo ganha de fato mais do que um ponto turístico; ganha um ativo cultural de reflexão. O mural “Sol do Meio Dia” é um convite para que o cidadão paulistano olhe para cima e reconheça as raízes que sustentam o país. Mesmo sob camadas de concreto.
Descubra mais sobre Realidarte
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.