Linha do Tempo da Fotografia: a memória em evolução no MIS

LINHA DO TEMPO DA FOTOGRAFIA – ACERVO MIS. O acervo do Museu, formado por mais de 200 mil itens, tem uma variedade enorme de suportes e linguagens que tanto registram a história do Brasil desde sua fundação, quanto oferecem bons elementos para remontar uma história anterior ao MIS.
Foto: Divulgação
O Museu da Imagem e do Som convida a uma jornada pela história da câmera fotográfica, da Paul Leinert à Polaroid.

A fotografia, mais do que uma técnica, é um espelho da percepção humana e da nossa relação com o tempo. No Museu da Imagem e do Som (MIS), a exposição permanente Linha do Tempo da Fotografia – Acervo MIS desdobra essa complexidade. A instituição convida o público a uma imersão na evolução de um equipamento que, de objeto pesado e técnico, transformou-se em extensão do nosso olhar.

Com um acervo de mais de 200 mil itens, o MIS traça um panorama técnico-social da câmera fotográfica. Dessa forma, revela como a arte de captar imagens moldou e foi moldada pela história do Brasil e do mundo.

A câmera fotográfica: de artefato a ubiquidade

O percurso da exposição inicia-se por volta de 1880, com a câmera mais antiga do acervo do Museu, e se estende até os anos 2000. Essa linha do tempo não é apenas cronológica; ela é um convite à reflexão sobre as mudanças estéticas, as inovações técnicas e a popularização da ferramenta. A pesquisa minuciosa, conduzida pela equipe de conservadores do Centro de Memória e Informação do MIS (CEMIS), garante a profundidade e o rigor histórico da mostra.

Em um mundo onde a câmera fotográfica está compactada em quase todos os celulares, a exposição resgata a materialidade e a engenhosidade por trás de cada clique. É um lembrete de que a tecnologia, antes de ser onipresente, foi um campo de experimentação e de busca por novas formas de expressão visual.

Destaques do acervo: ícones que contam histórias

Entre os mais de 30 itens originais da coleção do MIS, alguns se destacam não apenas pela sua relevância técnica, mas pela sua inserção na cultura e na memória coletiva:

  • Paul Leinert (final do século 19): Um modelo da fabricante alemã que, com seus impressionantes 58,8kg, representa o gigantismo e a complexidade dos primórdios da fotografia. Um verdadeiro monumento à paciência e ao rigor técnico dos fotógrafos da época.
  • Rolleiflex (década de 1950): Eternizada na cultura pop brasileira pela canção “Desafinado”, de João Gilberto (1959), a Rolleiflex simboliza a elegância e a precisão. Sua presença na exposição evoca a Bossa Nova e um período de efervescência cultural no Brasil, onde a fotografia já começava a se integrar ao imaginário popular.
    • Rolleiflex é uma famosa, duradoura e diversificada linha de câmeras fotográficas.
  • Minolta (7,5cm): Este exemplar japonês, com seu tamanho diminuto, remete aos filmes de espionagem e à crescente miniaturização da tecnologia. Uma prova de que a discrição também se tornou um atributo valioso na captura de imagens.
    • Minolta
  • Polaroid (1995): A câmera que revolucionou a relação do público com a imagem ao promover a revelação instantânea. A Polaroid democratizou o acesso à materialidade da fotografia, transformando o ato de fotografar em uma experiência imediata e compartilhável.

A fotografia como arte e documento: um diálogo contínuo

A exposição no MIS sublinha que a fotografia é, simultaneamente, arte e documento. As mudanças na forma de registro e nas técnicas de revelação ao longo dos anos não são meros avanços tecnológicos; são transformações que impactam diretamente a estética e a narrativa visual.

A curadoria da exposição nos convida a perceber como cada inovação abriu novas possibilidades para artistas e para a sociedade em geral, influenciando a maneira como vemos e interpretamos o mundo.

Visite a exposição permanente no MIS

  • Local: Museu da Imagem e do Som (MIS) – Avenida Europa, 158, Jardim Europa, São Paulo.
  • Exposição: Linha do Tempo da Fotografia – Acervo MIS
  • Período: Permanente
  • Horários: Terças a sextas, das 10h às 19h; sábados, das 10h às 20h; domingos e feriados, das 10h às 18h. (Permanência até 1h após o último horário)
  • Ingresso: Gratuito
  • Classificação indicativa: Livre


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