Na Igreja do Hospital dos Veneráveis Sacerdotes, em Sevilha, dois espaços no retábulo principal contavam uma história de ausência longa envolvendo duas pinturas desaparecidas. Assim sendo, por quase um século, as obras que ali deveriam estar não tinham paradeiro.
Sem dúvida, isso mudou no último dia 20.
Emprestadas em 1929, nunca devolvidas
Em 1929, a Igreja dos Veneráveis emprestou duas obras do pintor barroco Lucas Valdés para a Exposição Ibero-Americana de Sevilha. Os óleos sobre madeira de pinho — formato oval, cenas bíblicas — integravam a decoração do retábulo principal. Saíram, então, para uma exibição. Nunca voltaram.
Depois do encerramento da exposição, em 1930, as pinturas desapareceram. Por décadas, não havia rastro concreto sobre o paradeiro das obras. O silêncio durou quase noventa e cinco anos.
Um catálogo de leilão delatou o sumiço
A investigação começou em setembro de 2025. Naquele momento, o Ministério da Cultura da Espanha e a Arquidiocese de Sevilha identificaram de fato duas pinturas no catálogo de uma casa de leilões. As peças apresentavam características compatíveis com as obras desaparecidas.
O alerta chegou então à Brigada de Patrimônio Histórico da Polícia Nacional. Após confirmar a origem, os agentes realizaram a apreensão cautelar. Assim, impediram a venda antes da devolução formal. Em seguida, a polícia identificou os atuais detentores e abriu mediação com a Arquidiocese.
No último dia 20, as pinturas retornaram oficialmente à Igreja dos Veneráveis. A cerimônia aconteceu exatamente no espaço de onde as obras partiram há quase um século.
Lucas Valdés (1661–1725) foi um dos principais pintores barrocos de Sevilha. Por isso, a recuperação carrega peso tanto religioso quanto histórico e artístico — um fechamento raro para histórias que costumam terminar sem resposta.
Com informações de Folha de S.Paulo
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