Uma aquarela de Cézanne esteve em exibição pública em Basileia até segunda-feira, 25 de maio. Agora, um pesquisador afirma que a obra pertenceu a um empresário judeu que a perdeu durante a perseguição nazista. O caso envolve arquivos históricos, uma secretária deportada e um neto americano que descobriu tudo em 2024.
A obra é “La Montagne Sainte-Victoire”, pintada por volta de 1888. Ela integrou a grande exposição dedicada a Cézanne na Fondation Beyeler, encerrada na segunda-feira.
A aquarela de Cézanne e a história que os documentos revelaram
Gustav Schweitzer era um empresário judeu de Berlim. Em 1935, fugiu da Alemanha diante da perseguição nazista. No ano seguinte, emprestou a aquarela para uma exposição na Kunsthalle de Basileia.
A correspondência entre Schweitzer e o curador da Kunsthalle continuou até 1939. Naquele ano, sua secretária, já em Paris, confirmou o retorno da obra. Porém, o destino de Schweitzer tomou um rumo definitivo. Ele partiu para uma viagem de negócios pela Ásia. Nunca voltou. Morreu de ataque cardíaco em Manila.
Três anos depois, os nazistas deportaram sua secretária de Paris. Dessa forma, uma semana após a deportação, mataram-na em Auschwitz.
A mulher de Schweitzer fugiu para os Estados Unidos em 1938. O filho se juntou a ela após a guerra. O neto, único herdeiro da família, vive nos EUA até hoje.
Beyeler devolve a obra. Mas o destino ainda é incerto
O pesquisador Willi Korte encontrou os documentos nos arquivos públicos de Basileia. Para ele, o caminho da obra é claro: “Isso significa que foi vendida sob coerção após Schweitzer deixar a Alemanha, ou saqueada em território ocupado pelos nazistas.”
Korte pediu que a Fondation Beyeler retivesse a aquarela. “A fundação deveria honrar sua obrigação histórica e contribuir ativamente para uma solução justa”, afirmou.
A fundação, porém, optou por outro caminho. Em nota, declarou que devolverá a obra ao cedente. Além disso, afirmou que um museu suíço não tem autoridade legal para reter obras de terceiros. No catálogo da exposição, o cedente aparecia apenas como colecionador privado anônimo. Segundo o catálogo raisonné de Cézanne, o atual proprietário fica nos Estados Unidos.
Por fim, o historiador Georg Kreis propôs uma saída intermediária: que a Beyeler atuasse como mediadora entre o herdeiro e o atual proprietário. “Com uma pesada nuvem de suspeita pairando sobre ela, essa obra se tornará invendável”, disse Kreis. “Uma solução por acordo mútuo deve reconhecer que o dono original a perdeu por causa da perseguição nazista.”
Por enquanto, a aquarela retorna ao colecionador. O herdeiro ainda espera resposta.
Com informações de The Art Newspaper
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