De Itu a Pequim: obra de Portinari do Museu FAMA integra maior exposição do artista na Ásia

Obra de Candido Portinari, Roda Infantil (1932)
Foto: Divulgação

Uma tela de 39 × 47 centímetros, obra de Portinari, pintada em 1932 no interior de São Paulo, está prestes a passar pelos olhos de quatro milhões de pessoas. Intitulada Roda Infantil pertence ao acervo do Museu FAMA, em Itu, e passou por seleçãopara integrar a exposição O Brasil de Portinari, que abre em 9 de junho no Museu Nacional da China, em Pequim. Trata-se da primeira grande mostra dedicada ao artista em solo asiático.

A escolha da tela não surpreende quem conhece a produção do período. Roda Infantil mostra dez crianças brincando de roda num descampado, com Brodowski ao fundo e um céu de tons azulados. A composição equilibra figuras de meninos e meninas de mãos dadas, em posturas diversas.

É uma obra que guarda, em dimensões modestas, a memória afetiva de uma infância no interior paulista — exatamente o território emocional que consolidou Portinari como um dos maiores nomes da arte brasileira do século XX.

A maior plataforma internacional já dedicada a Portinari

A mostra O Brasil de Portinari ocupa as galerias do Museu Nacional da China de 9 de junho a 10 de outubro. Assim, o museu é o segundo mais visitado do mundo, atrás apenas do Louvre, com fluxo diário estimado em 30 mil pessoas. Ao longo dos quatro meses em cartaz, portanto, a expectativa de público ultrapassa os quatro milhões de visitantes.

A exposição reúne cerca de 60 obras originais e incorpora também uma experiência digital imersiva, ampliando a leitura da produção de Portinari para além do formato expositivo tradicional. A curadoria é conduzida por João Candido Portinari, filho único do artista e fundador do Projeto Portinari.

A iniciativa conta com patrocínio master da Petrobras, via Lei Federal de Incentivo à Cultura, e com o apoio dos Ministérios da Cultura e das Relações Exteriores, da Embratur e do Grupo Pátria Investimentos.

Arte como diplomacia

A abertura da exposição não é casual. A mostra integra a programação do Ano da Cultura e do Turismo Brasil-China 2026, iniciativa bilateral acordada pelos dois governos na Declaração Conjunta sobre a Comunidade de Futuro Compartilhado Brasil-China, que dá continuidade às celebrações do cinquentenário das relações diplomáticas entre os dois países.

Além disso, a data escolhida para a abertura coincide com o Fórum Global de Diretores de Museus, promovido pelo próprio Museu Nacional da China. O encontro reúne dirigentes das principais instituições museológicas do mundo — e todos terão acesso à produção de Portinari logo na chegada a Pequim.

Empresas chinesas acumulam mais de US$ 77 bilhões em projetos no Brasil desde 2007. É nesse contexto econômico e diplomático que Portinari chega a Pequim como o mais eloquente embaixador cultural que o Brasil poderia enviar.

O FAMA no circuito global

O empréstimo de Roda Infantil ao Museu Nacional da China evidencia também o lugar que o Museu FAMA ocupa no cenário institucional brasileiro. Fundado pelo empresário, artista e colecionador Marcos Amaro, o museu ocupa uma área de 25 mil metros quadrados no centro histórico de Itu. Lá, ele abriga mais de 3.500 obras de mais de 400 artistas brasileiros, em recorte que vai do período colonial ao contemporâneo.

Dessa forma, o percurso de uma tela pequena — saída de Brodowski em 1932, guardada em Itu por décadas — ganha um novo capítulo em Pequim. A arte de Portinari, assim, confirma que sua escala nunca foi questão de centímetros.

Com informações de Projeto Portinari, Guia das Artes e Times Brasil.


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