Roubo de obras na Biblioteca Mário de Andrade: polícia identifica o suposto mentor do crime

Foto: Ding Musa, Courtesia MAM São Paulo

A Polícia Civil de São Paulo identificou o homem apontado como mentor do roubo de obras de arte na Biblioteca Mário de Andrade, ocorrido em dezembro de 2025. O nome é Laéssio Rodrigues de Oliveira Silva. Segundo as autoridades, ele coordenou a ação que resultou no desaparecimento de treze peças do acervo. Até o momento, nenhuma das obras foi recuperada.

O caso ganhou repercussão internacional porque o alvo era específico e valioso: oito gravuras de Henri Matisse da série Jazz (1947) e cinco ilustrações de Candido Portinari para uma edição especial de Menino de Engenho, de José Lins do Rego. Portanto, trata-se de um dos maiores roubos de acervo cultural registrados no Brasil nos últimos anos.

Como o roubo aconteceu

O crime ocorreu no último dia da exposição “Do Livro ao Museu”, organizada em parceria com o MAM São Paulo. Dois homens armados entraram na biblioteca logo após a abertura. Eles renderam um segurança e um casal de visitantes, retiraram as obras das vitrines e fugiram a pé em direção a uma estação de metrô. Imagens das câmeras de segurança registraram a ação e ajudaram a identificar parte dos envolvidos.

Dois suspeitos de participar da execução estão detidos: Carlos Leandro Ferreira da Silva e a estudante de direito Regiane Rodrigues da Silva. Um terceiro, apontado como executor do roubo, permanece foragido.

Quem é Laéssio Rodrigues de Oliveira Silva

O suposto mentor não era desconhecido das autoridades. Laéssio já estava preso desde abril deste ano, detido após uma tentativa de subornar um vigilante do Instituto Rui Barbosa, no Rio de Janeiro, em conexão com outro planejamento de crime.

Além disso, seu histórico impressiona. Em 1998, ele foi condenado por roubar revistas raras da Fundação Biblioteca Nacional, material avaliado em cerca de US$ 750 mil. As investigações também o ligam a furtos na Universidade de São Paulo, no Museu Nacional e no Palácio do Itamaraty, em Brasília.

Ainda de acordo com as apurações, Laéssio teria estabelecido conexões com integrantes do PCC durante o cumprimento de pena anterior. Num recado de voz encontrado em seu celular, ele se descreveu como especialista em livros raros que os distribui “pelo mundo inteiro” e acrescentou: “Estou entrando no ramo de arte agora.”

A frase resume a trajetória de alguém que ampliou, sistematicamente, o escopo de seus crimes contra o patrimônio cultural brasileiro.

Obras ainda desaparecidas

O avanço da investigação não significa, por ora, recuperação do acervo. As treze obras seguem sem paradeiro. A situação alimenta um debate crescente sobre segurança de acervos culturais no Brasil e sobre o destino de peças furtadas que frequentemente ingressam em redes clandestinas de circulação internacional.

O roubo de obras de arte em instituições públicas coloca em risco não apenas o patrimônio material, mas também a memória cultural que esses acervos representam. No caso de Matisse e Portinari, trata-se de peças insubstituíveis.

Obras levadas na Biblioteca Mário de Andrade

  • 8 gravuras de Henri Matisse da série Jazz (1947)
  • 5 ilustrações de Candido Portinari para Menino de Engenho (José Lins do Rego)
  • Total: 13 obras; nenhuma recuperada até o fechamento desta matéria

Com informações de Art Review


Descubra mais sobre Realidarte

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Deixe uma resposta

You May Also Like
Fachada de parede de tijolos com cartaz da exposição De Musa ao Protagonismo e placa do Ateliê Casarão com arroba @ateliecasaraoipiranga
Leia mais!

De Musa ao Protagonismo: o Ateliê Casarão lotou um sábado e as obras ainda falavam quando o silêncio chegou

Curadoria de Bianca Foratori reúne 37 artistas no Ateliê Casarão Ipiranga numa abertura que durou o dia inteiro…
Leia mais!
Leia mais!

Ateliê Casarão: a arte feminina em destaque na exposição “De Musa ao Protagonismo”

Com curadoria de Bianca Foratori, a mostra no Ateliê Casarão Ipiranga reúne 37 artistas, incluindo nomes como Ágatha…
Leia mais!
banksy
Leia mais!

Banksy: investigação da Reuters aponta identidade do artista

Banksy em foco: Uma nova investigação da Reuters cruza documentos e registros policiais para apontar Robin Gunningham como…
Leia mais!
Artista e ativista indígena Daiara Tukano assina mural em homenagem a Aílton Krenak no Vale do Anhangabaú a convite da Virada Sustentável.
Leia mais!

Ailton Krenak: o rosto da resistência indígena no coração de São Paulo

Mural monumental de Daiara Tukano, inaugurado no Vale do Anhangabaú, transforma o Edifício Guanabara em um manifesto visual…
Leia mais!
Instalação site-specific de Pàulla Scàvazzini, mostrando pinturas que avançam sobre as paredes e o piso da galeria, criando um ambiente imersivo
Leia mais!

Pàulla Scàvazzini: a pintura que transborda a tela em NY e no Rio

A trajetória de Pàulla Scàvazzini vive um momento de expansão e reconhecimento global. Com aberturas estratégicas em Nova…
Leia mais!
Logotipo da Amazônia com formas orgânicas inspiradas nas curvas dos rios amazônicos, em paleta de cores vibrantes, representando a diversidade cultural e natural da Amazônia Legal Brasileira.
Leia mais!

Amazônia: a arte que nasceu do próprio rio

A nova identidade visual da Amazônia Legal Brasileira é um manifesto de design territorial, cocriado com artistas locais,…
Leia mais!