Os maiores roubos de arte no Brasil: museus, coleções e obras que sumiram

Roubos de arte no Brasil deixaram rastros permanentes no patrimônio cultural do país. Do carnaval carioca a bibliotecas paulistanas, crimes audaciosos contra museus e colecionadores particulares se repetem há décadas.

O caso mais recente, em maio de 2026, trouxe a prisão do homem apontado pela polícia como o maior ladrão de obras de arte do Brasil (veja mais abaixo).

Abaixo, os casos de maior impacto histórico e financeiro.

Os maiores roubos de arte no Brasil, caso a caso

Museu da Chácara do Céu — Rio de Janeiro, 2006

O crime mais audacioso da história do patrimônio brasileiro aconteceu durante o carnaval. Enquanto o bloco “Carmelitas” desfilava nas ruas, homens armados com granadas invadiram o museu. Em minutos, quatro obras-primas sumiram do acervo.

Meses depois, encontraram parte de “A dança” queimada no Morro dos Prazeres, e “O Jardim de Luxemburgo” chegou a aparecer anunciado em um site de leilões europeu da Bielorrúsia, com lance mínimo de US$ 13 milhões.

O quadro “A Dança”, de Picasso, foi roubado do Museu da Chácara do Céu, no Rio, em 2006 — Foto: Reprodução

Nenhuma das obras foi oficialmente recuperada. Curiosamente, duas dessas pinturas – as de Dalí e Matisse – já haviam possuíam um roubo em seu histórico no mesmo museu em 1989 e recuperadas meses depois.

Vinte anos depois, o caso segue sem culpados.

MASP — São Paulo, 2007

Três homens entraram no museu durante a madrugada. Em apenas três minutos, levaram “O Lavrador de Café”, de Cândido Portinari, e “Retrato de Suzanne Bloch”, de Picasso. Semanas depois, a polícia recuperou as duas obras — um dos raros desfechos positivos nessa história.

As telas “O lavrador de café”, de Cândido Portinari, e “O retrato de Suzanne Bloch”, de Pablo Picasso. Recuperadas dias depois do roubo no Masp. — Foto: Reprodução

Caso Geneviève Boghici — Rio de Janeiro, 2022

De fato, não foi um assalto convencional. Foi, a princípio, uma extorsão familiar. Sabina Boghici liderou um esquema para extorquir a própria mãe, a colecionadora Geneviève Boghici. O golpe chegou a R$ 725 milhões. Entre as 16 telas subtraídas, estavam obras de Tarsila do Amaral: “Sol Poente” — encontrada debaixo de uma cama — e “O Sono”.

Biblioteca Mário de Andrade — São Paulo, 2025

Em dezembro de 2025, ladrões furtaram 13 gravuras raras da biblioteca paulistana. O crime voltou aos holofotes em maio de 2026 com a prisão de Laéssio Rodrigues de Oliveira, considerado pela polícia como o maior ladrão de obras de arte que o Brasil já viu.

Além disso, a investigação revelou que ele também atuou em outros casos. As obras levadas: 8 gravuras de Matisse (série “Jazz”) e 5 de Portinari (série “Menino de Engenho”). A polícia não as localizou até agora.

Estação Pinacoteca — São Paulo, 2008

Ladrões renderam funcionários e levaram três gravuras de Picasso e uma tela de Di Cavalcanti.

A tela ‘Mulheres na janela”, de Di Cavalcanti, uma das obras roubadas na Pinacoteca. — Foto: Reprodução

Ainda assim, diferente dos casos anteriores, a Polícia Civil de São Paulo recuperou todas as obras.

Um padrão que se repete nos roubos de arte no Brasil

Os casos revelam, portanto, um problema estrutural. Em outras palavras, museus e bibliotecas brasileiras historicamente operam com segurança insuficiente para o valor do acervo que protegem. Por isso, crimes audaciosos encontraram — e ainda encontram — brechas reais para acontecer.

A prisão de Laéssio em 2026 reacende o debate. Porém, obras como as da Chácara do Céu continuam desaparecidas. Em suma, o rastro do maior roubo de arte do país segue em aberto.

Com informações de O Globo, Folha de S.Paulo e G1


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