Hilde Lynn Helphenstein, conhecida internacionalmente pelo pseudônimo Jerry Gogosian, foi encontrada morta no domingo, 1º de junho, em seu quarto no hotel Rosewood, em São Paulo. Assim que a notícia se espalhou, o mundo da arte reagiu com choque. A morte foi registrada como suspeita pela Polícia Civil, e exames periciais foram solicitados.
Helphenstein estava no Brasil havia cerca de três semanas, segundo informações divulgadas pela TV Globo. De acordo com a emissora, um homem que se identificou como seu cirurgião plástico foi ao quarto dela depois que ela parou de atender o telefone. No local, encontrou uma garrafa de vodca vazia, um copo quebrado e pílulas não identificadas.
Em nota oficial, o hotel confirmou o ocorrido:
“Desde a constatação do ocorrido, o hotel tem prestado total colaboração com as autoridades competentes, fornecendo prontamente todas as informações solicitadas para auxiliar na apuração dos fatos.”
No sábado, um dia antes, registraram uma reclamação contra Helphenstein e acompanhantes por comportamento de embriaguez, incluindo exposição pública, segundo a Globo.
Quem era Jerry Gogosian?
O nome combinava dois gigantes do mundo da arte: o crítico Jerry Saltz e o megadealer Larry Gagosian. Portanto, já era, por si só, uma declaração de intenções.

Helphenstein criou a conta no Instagram em 2018, após ficar acamada por um ano devido a problemas de saúde. Antes disso, ela havia fundado uma galeria de arte em Los Angeles, inaugurada em 2016. Inicialmente, o perfil era anônimo. Em 2020, ela revelou sua identidade publicamente.
Bem mais do que memes, a conta acumulou cerca de 145.000 seguidores e passou a funcionar como uma espécie de tribunal informal do mercado de arte. Além disso, Helphenstein expandiu sua atuação para o podcast Art Smack e para a newsletter The Jerry Report, consolidando uma voz crítica que circulava entre o humor e o jornalismo cultural.
Do Instagram às casas de leilão
Ainda que a conta fosse conhecida por memes ácidos sobre colecionadores e galeristas, seu impacto ultrapassou a ironia. Em 2020, após Helphenstein incentivar seguidores a relatarem alegações de assédio sexual contra o diretor Sam Orlofsky, a Gagosian Gallery encerrou o contrato com ele.

Por conseguinte, em 2022, ela realizou a curadoria de um leilão na Sotheby’s. Em fevereiro de 2024, assinou com a divisão de Belas Artes da United Talent Agency (UTA). Contudo, em setembro do mesmo ano, a UTA anunciou o fechamento da divisão. Não está claro se a agência manteve Helphenstein como cliente após o encerramento.
“Ela é uma sumidade no mundo da arte, conhecida por cultivar uma comunidade vibrante por meio de seus canais digitais engajadores”, disse Harrison Tenzer, diretor sênior da UTA Fine Arts, em comunicado de 2024.
Em junho passado, Helphenstein havia anunciado no Instagram que planejava encerrar a conta. Ela disse que havia “superado” o projeto. Por fim, a conta seguia ativa, com 145.000 seguidores, no momento de sua morte.
Uma voz que mudou o jogo
Ocasionalmente, suas publicações também a colocavam em situações delicadas. No ano passado, ela zombou do nome de um leiloeiro da Sotheby’s, o que levou o profissional a acusá-la de xenofobia. Ela se desculpou, admitindo que a piada foi feita “em mau gosto”.

Mesmo assim, o legado de Jerry Gogosian é difícil de ignorar. Ela colaborou com marcas como Sotheby’s, Ruinart, Edition Hotel e Standard Hotel. Sobretudo, transformou um pseudônimo criado no isolamento de uma doença em uma das vozes mais reconhecidas do circuito internacional de arte contemporânea.
Sobre Hilde Lynn Helphenstein
- Nacionalidade: norte-americana
- Pseudônimo: Jerry Gogosian
- Atuação: comentarista, curadora, criadora de conteúdo sobre arte contemporânea
- Formação: Instituto de Arte de São Francisco
- Projetos: podcast Art Smack, newsletter The Jerry Report, galeria em Los Angeles (2016)
- Seguidores no Instagram: 145.000
As circunstâncias da morte seguem sob investigação. A causa oficial ainda não foi divulgada pelas autoridades.
Com informações de ARTnews e TV Globo
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