Bienal de Veneza: Brasil celebra a arte de Adriana Varejão e Rosana Paulino

Anjo Encarnado, obra de Adriana Varejão, Bienal de Veneza, Comigo Ninguém Pode
Foto: Divulgação/Vincente Mello/Adriana Varejão

O Pavilhão do Brasil na 61ª Exposição Internacional de Arte propõe, na Bienal de Veneza, um diálogo inédito entre as artistas, com curadoria de Diane Lima, explorando história, espiritualidade e matéria na arte contemporânea brasileira

A Bienal de Veneza é, anualmente, o palco onde o mundo da arte converge para testemunhar as mais recentes expressões e reflexões. Então, em 2026, o Pavilhão do Brasil na 61ª Exposição Internacional de Arte promete ser um dos pontos altos, com a exposição “Comigo ninguém pode”.

Sob a curadoria de Diane Lima, a mostra articula um diálogo inédito e profundo entre as trajetórias de duas das mais significativas artistas da arte contemporânea brasileira: Adriana Varejão e Rosana Paulino. Assim, a proposta abandona a retórica institucional para mergulhar em uma experiência sensorial, densa e imagética, reconfigurando a própria arquitetura moderna do edifício.

Comigo ninguém pode

O título da exposição, “Comigo ninguém pode”, evoca a planta popularmente conhecida por sua ambivalência — símbolo de proteção e resiliência, mas também de toxicidade. É dessa dualidade que emerge, por exemplo, a espinha dorsal do projeto: uma investigação sobre as interseções entre natureza, história e espiritualidade.

De fato, a curadoria de Diane Lima constrói-se como uma composição quase musical, onde as obras de Varejão e Paulino são organizadas por sobreposições, tensões e aproximações simbólicas, cromáticas e matéricas.

Adriana Varejão, conhecida por suas pinturas que tensionam os limites da representação ao simular materialidades, dialoga com Rosana Paulino, que retoma a figura da mulher negra como matriz de continuidade e tecelã de vida e memória.

Rosana Paulino, Tecelãs, 2003. © Rosana Paulino. Acervo Biblioteca de Artes Visuais |
Rosana Paulino, Tecelãs, 2003. Por Rosana Paulino. Acervo Biblioteca de Artes Visuais | Pinacoteca de São Paulo. — Foto: Isabella Matheus/Divulgação

A expografia de Daniela Thomas, em estreita colaboração com a curadoria e as artistas, transforma o pavilhão em um espaço de imersão, onde feridas coloniais e processos de metamorfose, memória e fabulação se encontram.

O Pavilhão do Brasil restaurado para a Bienal de Veneza

Vista externa do Pavilhão Brasil em Veneza
Foto: Riccardo Tosetto/Fundação Bienal de São Paulo via ArchDaily Brasil.

O Pavilhão do Brasil, projetado por Giancarlo Palanti, Henrique Mindlin e Walmyr Lima Amaral em 1964, passou por um processo de recuperação conduzido pela Fundação Bienal de São Paulo.

Por fim, a intervenção, concluída no início de 2026, incluiu desde reparos estruturais até a restituição de elementos originais, como as paredes laterais de vidro e a fachada. Em suma, este restauro reafirma a Bienal de Veneza como uma plataforma de articulação entre memória e contemporaneidade, onde o Brasil se projeta como reflexo e construção.

Serviço

Pavilhão do Brasil na 61ª Exposição Internacional de Arte – Bienal de Veneza

  • Exposição: Comigo ninguém pode
  • Curadoria: Diane Lima
  • Artistas: Adriana Varejão e Rosana Paulino
  • Local: Giardini della Biennale, Veneza
  • Pré-abertura: 5 a 8 de maio de 2026
  • Abertura ao público: 9 de maio a 22 de novembro de 2026

Sobre a Exposição

  • Conceito: Diálogo entre história, espiritualidade e matéria
  • Artistas em Destaque: Adriana Varejão, Rosana Paulino
  • Curadora: Diane Lima
  • Local: Pavilhão do Brasil, Giardini della Biennale
  • Período: 9 de maio a 22 de novembro de 2026

Com informações de Casa Cor


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