O Pavilhão do Brasil na 61ª Exposição Internacional de Arte propõe, na Bienal de Veneza, um diálogo inédito entre as artistas, com curadoria de Diane Lima, explorando história, espiritualidade e matéria na arte contemporânea brasileira
A Bienal de Veneza é, anualmente, o palco onde o mundo da arte converge para testemunhar as mais recentes expressões e reflexões. Então, em 2026, o Pavilhão do Brasil na 61ª Exposição Internacional de Arte promete ser um dos pontos altos, com a exposição “Comigo ninguém pode”.
Sob a curadoria de Diane Lima, a mostra articula um diálogo inédito e profundo entre as trajetórias de duas das mais significativas artistas da arte contemporânea brasileira: Adriana Varejão e Rosana Paulino. Assim, a proposta abandona a retórica institucional para mergulhar em uma experiência sensorial, densa e imagética, reconfigurando a própria arquitetura moderna do edifício.
Comigo ninguém pode
O título da exposição, “Comigo ninguém pode”, evoca a planta popularmente conhecida por sua ambivalência — símbolo de proteção e resiliência, mas também de toxicidade. É dessa dualidade que emerge, por exemplo, a espinha dorsal do projeto: uma investigação sobre as interseções entre natureza, história e espiritualidade.
De fato, a curadoria de Diane Lima constrói-se como uma composição quase musical, onde as obras de Varejão e Paulino são organizadas por sobreposições, tensões e aproximações simbólicas, cromáticas e matéricas.
Adriana Varejão, conhecida por suas pinturas que tensionam os limites da representação ao simular materialidades, dialoga com Rosana Paulino, que retoma a figura da mulher negra como matriz de continuidade e tecelã de vida e memória.

A expografia de Daniela Thomas, em estreita colaboração com a curadoria e as artistas, transforma o pavilhão em um espaço de imersão, onde feridas coloniais e processos de metamorfose, memória e fabulação se encontram.
O Pavilhão do Brasil restaurado para a Bienal de Veneza

O Pavilhão do Brasil, projetado por Giancarlo Palanti, Henrique Mindlin e Walmyr Lima Amaral em 1964, passou por um processo de recuperação conduzido pela Fundação Bienal de São Paulo.
Por fim, a intervenção, concluída no início de 2026, incluiu desde reparos estruturais até a restituição de elementos originais, como as paredes laterais de vidro e a fachada. Em suma, este restauro reafirma a Bienal de Veneza como uma plataforma de articulação entre memória e contemporaneidade, onde o Brasil se projeta como reflexo e construção.
Serviço
Pavilhão do Brasil na 61ª Exposição Internacional de Arte – Bienal de Veneza
- Exposição: Comigo ninguém pode
- Curadoria: Diane Lima
- Artistas: Adriana Varejão e Rosana Paulino
- Local: Giardini della Biennale, Veneza
- Pré-abertura: 5 a 8 de maio de 2026
- Abertura ao público: 9 de maio a 22 de novembro de 2026
Sobre a Exposição
- Conceito: Diálogo entre história, espiritualidade e matéria
- Artistas em Destaque: Adriana Varejão, Rosana Paulino
- Curadora: Diane Lima
- Local: Pavilhão do Brasil, Giardini della Biennale
- Período: 9 de maio a 22 de novembro de 2026
Com informações de Casa Cor
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